
Notam-se, ainda assim, traços de vida paralelos - influência assinalável da figura paternal, ambos “emigraram” para Nova Iorque e regressaram ao fim de alguns anos, e abordagem das mesmas questões, donde sobressai a preocupação com a progressiva funcionalização da medicina.
Fruto da sua especialidade clínica, os temas que Nuno Lobo Antunes trata são tudo menos agradáveis - crianças e doenças terminais são, por natureza, quase incompatíveis, mas o autor consegue sempre extrair destas terríveis histórias de vida e morte um ensinamento ou uma reflexão que permite ao leitor encarar a tragédia com outros olhos.
E depois, há pormenores deliciosos de humor subtil - como o daquele pediatra que acordado a meio da noite por uma Mãe histérica que lhe pergunta o que fazer ao seu filho, já que teria engolido um lagostim, responde ainda estremunhado - «Dê-lhe uma imperial, minha Senhora»." Aqui.
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