terça-feira, 11 de novembro de 2008

Jornal da Madeira

O livro de Nuno Lobo Antunes, é a sugestão do Jornal da Madeira, do passado dia 8 de Novembo, no suplemento - Revista Olhar

ARTES
A NÃO PERDER - Sinto Muito Nuno Lobo Antunes
"Sinto muito" é sobre o sofrimento em geral, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração, mas recompensa-o grandemente, tornando-o mais leve e melhor. Nuno Lobo Antunes pretende, com bom propósito e bons resultados, deixar que o seu coração se pronuncie, que se liberte a sua voz, que seja conhecida a sua humanidade. E, na verdade, a alma fala.
Há no médico o desejo de ser santo, de ser maior. Mas na sua memória transporta, como um fardo, olhares, sons, cheiros e tudo o que o lembra de ser menor e imperfeito. Este é um livro de confissões. Uma peregrinação interior em que a bailarina torce o pé, o saltador derruba a barra, o arquitecto se senta debaixo da abóbada, e no fim, ela desaba." Aqui

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Nuno Lobo Antunes me confesso

Hoje no Jornal MEIA HORA, na secção Cultura,
leia a opinião de Ana Filipa Baltazar, sobre o novo livro de Nuno Lobo Antunes

"À medida que se folheiam
as páginas de Sinto Muito, mergulhando nas memórias de neuro-oncologista pediátrico,
ouve-se nitidamente o bater de coração de um homem.
Para lá da dor e do sentimento de impotência, Nuno Lobo Antunes, durante quase uma década soldado nas trincheiras da luta contra os tumores
cerebrais em meninos com uma vida por cumprir, estreia-se nos livros com um testemunho de genuinidade e esperança.
“Perdíamos muitas
crianças, é certo,mas sentia- me privilegiado pelo trabalho que fazia”
, escreve na introdução de Sinto Muito, em que “exorciza” derrotas com uma homenagem à coragem, aos pais, ao Homem, que depois do limite se reergue mais forte para enfrentar os seus dramas. Mas estas são também páginas de um diário pessoal, confessionário de
quem não tem vergonha de falar do que sente."
Aqui

Entrevista a Nuno Lobo Antunes

Este é um livro generoso e também pedagógico...
Quanto à generosidade, não sei se estou de acordo. Tinha uma necessidade real de aliviar a carga de algumas destas histórias. Como digo aí, no fim fiquei mais leve e livre. Depois a noção de, quando se lida com pessoas nestes patamares de sofrimento, reconhecer que elas são capazes de se tornar heróis e santos. Estamos numa sociedade em que já não há heróis, os que existem são figuras de ficção. Já há poucos heróis de carne e osso. As pessoas vulgares, com quem nos cruzamos nos passeios, quando em níveis de exigência difíceis, são capazes de revelar capacidades extraordinárias. Se contribui com uma gota de água no reacreditar nas pessoas, então será verdade esse sentido pedagógico.

Há uma mistura de duas coisas: uma necessidade de pôr cá fora dores armazenadas durante muito tempo e a noção de que são histórias que valem a pena serem conhecidas.

Há a ideia do médico ter mecanismos de defesa para conseguir lidar com o limite. Mas homem e médico são um só. Onde, afinal, se guarda a dor?
Cada um responderá à sua maneira. Os religiosos encontram alívio, explicação, na fé. Quem não o for, terá outras respostas. O livro foi uma resposta à minha própria dor. Transformei-a nisto. Foi uma saída. O médico tem, claramente, de manter a distância afectiva na altura das decisões, da avaliação, agora é verdade que depois tem de resolver as marcas que isso vai deixando.

Sozinho?
Claramente sozinho. Não há outra forma.


Fala aqui da sua infância, do contexto familiar, da dificuldade em lidar como ser sempre o filho de, irmão de…Em Nova Iorque encontrou- se e este livro é também o assumir da escrita…

Sim, a partida representou a necessidade de encontro com um mundo não afectado pela tradição familiar, pelo peso de um nome. Em relação ao livro, é isso mesmo. Foi precisa grande coragem para o fazer,devo dizer.Coragemou loucura, não sei bem.Há uma procura da identidade que resultou não só da partida para osEUAe agora neste deitar cá para fora.
Entrevista de Ana Filipa Baltazar - Meia Hora. Aqui

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Abecedário dos Nomes

Hoje é assim no Corte Inglês...
Ouvem-se contar histórias sem pés nem cabeça, pela autora Manuela Crespo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sinto Muito - é um olhar humano.

Na sua crónica mensal na Revista MÁXIMA, Madalena Fragoso, diz-nos que o Livro de Nuno Lobo Antunes "Sinto Muito é um olhar humano, solidário e terno, a que estamos pouco habituados, salvo honrosas excepções, por parte da classe médica."

"Deserto de Afectos"

"No recém-publicado Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes, o texto introdução do autor começa assim: "Em criança, agarrado ao meu peluche, sentia-me órfão de pais vivos, filho único de seis irmãos. Não me sobrava inteligência, não seduzia pela beleza. Vulgar, portanto, igual às outras crianças, as que não eram lá de casa. Foi talvez por isso que a minha mãe disse, um dia, que de mim não queria mais de um «dez». Profecia que foi uma sentença que, obedientemente, cumpri toda a vida." Mais à frente esclarece: "A minha relação com a Medicina foi precoce. Adoeci criança, e a coisa mais notável que fiz até aos vinte anos foi quase ter morrido. A sério, todos os outros tinham graças para contar, tiradas geniais, ingenuidades soberbas de criança. Pela minha parte, nasci prematuro e, não satisfeito com isso, perdi peso. Além do mais, tive uma peritonite aos três anos de idade, em Agosto, o que era duplamente inconveniente. Ficou-me, no entanto, a imagem da criada a passar na ombreira da porta, tomando conta, e também o egoísmo com que guardei uns carrinhos de pista que alguém me ofereceu. Não deixei ninguém brincar, e paguei com isso o preço do remorso que ainda hoje me aflige."

Tendo coincidido em tempos de leitura quase simultâneos, estes dois registos, destes dois irmãos, não puderam deixar de me agitar as águas das emoções. Sendo homens e irmãos as suas palavras são ainda mais reveladoras. Reveladoras de um mundo masculino que se insiste em manter fechado, a cadeado, ou trancado a sete chaves. O que mais me impressionou, tratando-se de homens bem maduros, foi a visível inconformidade, até mesmo indignação e incómodo, que ainda guardam em relação a uma infância vazia de afectos. Mas, apesar de tudo, é mais estranho pensar que o mundo dos afectos ainda seja tido como um monopólio feminino. Se é assim, onde está o colo da mulher-mãe que lhes faltou? E que mulheres-amantes se cruzaram na vida destes meninos-homens para que este colo ainda permaneça por saciar?"

Vida Hi-Fi - Aqui
(excerto do Post Deserto de Afectos)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Nuno Lobo Antunes - Sinto Muito


Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes5 semanas no Top das preferências

3.º Lugar - Bulhosa
3.º Lugar - Bertrand
5.º Lugar - Fnac


segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Convite - 7 Novembro

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"O Amor"

[...] But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...
I was made for you [...]
Brandi C.
A vida é tempo entre parêntesis
Alma a nu, sentimento de pudor
O Amor como razão de ser e de viver.
Nuno L. Antunes
in
Sinto Muito
Folha em Branco - Aqui

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

“Sinto Muito” - O livro de que se fala e bem

"Lobo Antunes é um apelido pesado, mas Nuno, o filho mais novo de uma família de ilustres conhecidos e peritos em medicina ou nas letras ou em todas as áreas onde trabalham, apresenta-se em nome próprio de coração aberto. Médico neuropediátrico, que todos os dias lida com as mais difíceis situações clínicas de crianças com cancro, Nuno Lobo Antunes revela-se aqui enquanto homem e um homem profundamente humano, de uma sensibilidade atroz. Antes de pegar no livro tive oportunidade de ver o autor na Grande Entrevista com Judite de Sousa e ouvi-lo também na Prova Oral, programa que Fernando Alvim conduz diariamente ao final do dia na Antena 3. Não escondo que na Grande Entrevista me emocionei profundamente com alguns testemunhos. Não escondo também que no programa mais ligeiro e bem humorado de Alvim, me surpreendeu a segurança e determinação deste médico que já percorreu o mundo e que conta histórias passadas em tantas paragens que nos é impossível não o admirarmos. Tive medo de não aguentar o livro. De desistir por não ter forças de conhecer estas realidades tão duras. Mas o livro é incrivelmente bonito. Na introdução, o autor tem dois momentos chave que permite vislumbrar que as palavras que se seguem merecem ser lidas. Admite que há pessoas que não compreendem como ele consegue ir trabalhar feliz e fazer aquilo que mais gosta, que é cuidar das crianças, embora com situações complicadíssimas. Mais do que isso: a dada altura Nuno Lobo Antunes diz, face ao pesado apelido que ostenta, “Eu não sou de ferro, mas de vidro”. De facto, o que mais me agrada neste livro que estou a ler e tenho a certeza não vou deixar uma linha de fora, é essa gentileza do Senhor Doutor em mostrar-se em nome próprio, como alguém que sofre quando não consegue salvar uma vida, como alguém que faz tudo o que pode e dá tudo o que tem. Espero sinceramente nunca me cruzar com ele nalgum corredor branco de hospital, mas garanto a quem passar por isso: quem escreve assim, de alma aberta, é pessoa de confiança. O livro tem edição da Verso da Kapa e vai já na 4ª edição.
Vale a pena ler e é por isso a recomendação de leitura do Vida Maravilha para esta semana."

Ana Raquel Oliveira - Vida Maravilha - Aqui

Sou jornalista, na área da cultura, e adoro todas as coisas boas que a vida tem para oferecer. Mais do que um blogue dedicado à cultura, aqui quero deixar o testemunho de experiências de que vale a pena falar e partilhar.